quinta-feira, 28 de outubro de 2021

O vendedor ambulante

Quinta-feira, pouco mais de dez e meia da manhã, sensação térmica de aproximadamente 40ºC(clima tipicamente Manauara). Numa parada de ônibus na Avenida Constantino Néry, observo agoniado o movimento dos carros e da população que afigura estar sempre atrasada. Sirenes tocam e num ato de empatia os motoristas abrem espaço para o Samu passar e o movimento continua. Além disso, percebo uma série de ultrapassagens perigosas que podem causar quaisquer fatalidades imprevisíveis, fato este muito perigoso e de total irresponsabilidade. O sinal fecha e surge entre os carros um garotinho desenvolto, aparentando ter quinze anos de idade, pardo, de cabelos cacheados, olhos claros, segurando nos braços seis garrafinhas de água mineral e usando uma pochete de cor preta na cintura.

Se trata de um jovem Venezuelano, tão pequeno, mas com uma força de vontade gigante no qual é perceptível em seu olhar. Mesmo em uma situação atípica e perigosa, ele se arrisca debaixo de sol ou chuva no setor informal desta metrópole, atuando como vendedor ambulante. Um certo motorista, abaixa o vidro esquerdo do carro, faz um movimento com a mão e o garotinho saí correndo para atendê-lo, repassa duas garrafinhas de água, pega o dinheiro, guarda na pochete e continua, repetindo o mesmo processo até seus braços ficarem livres.

Com o olhar atento a qualquer movimento,ele circula de um lado para outro na avenida, ora enxugando o suor que escorre pela face, outrora sorrindo para um colega que lhe espera do outro lado da rua que aparenta estar segurando uma caixa térmica utilizada para armazenar as garrafas de água. Ao perceber a sinalização amarela piscando nos últimos segundos, ele corre em direção ao seu parceiro. Juntos, dialogando, sorrindo, é assim que os vejo, transmitindo paz, seriedade, bondade e honestidade, caminhando pela extensa avenida, observando tudo em sua volta, dando por encerrado mais uma manhã de trabalho.

Essa é uma realidade de grande parte dos venezuelanos que buscam refúgio em Manaus, fugindo da caótica crise econômica e política de seu País. Percorrem mais de dois mil quilômetros, enfrentando uma grande batalha, em alguns casos, deixando para trás pai, mãe, filhos, esposas, companheiros, em busca de oportunidades de trabalho e ao encontrarem um lugar acolhedor, eles se instalam, são amparados por órgãos públicos e ONGs e tentam recomeçar uma nova história, com muita garra e determinação.

domingo, 24 de outubro de 2021

Amor à primeira vista

Como se não bastasse, até no meu primeiro dia de aula na faculdade, cheguei atrasado. Acanhado, pedi licença, caminhei em direção à primeira carteira desocupada e sentei. Retirei o caderno, duas canetas da mochila, e coloquei sobre a mesinha de apoio. Notei que havia se passado quarenta minutos exatos de teoria sobre o contexto histórico do Jornalismo. Curioso, comecei a observar o comportamento dos colegas de classe.


Alguns participavam ativamente com indagações, proporcionando um momento dinâmico e descontraído, outros se mantinham calados, introvertidos e tão observadores quanto eu. Além disso, em especial, um rapaz de estatura baixa, moreno, dono de um sorriso encantador me chamou atenção, encarando-me fixamente sem parar. Ao perceber sua atitude ousada, sorri, meio tímido e ele retribuiu amorosamente, esbanjando confiança e intensidade, despertando-me um sentimento incomum. Tentei desviar o olhar inúmeras vezes, mas foi uma tarefa difícil, quase inevitável; para minha surpresa ou não, em breves intervalos de tempo ele insistia em observar-me discretamente.

Nesse momento, um turbilhão de pensamentos invadira minha mente com flashes desconexos, paralelamente às borboletas no estômago, causando grande confusão e dúvida de que seria esse o tão falado "amor à primeira vista?" O brilho em seus olhos, a reciprocidade que acontecia, mesmo sem contato verbal ou físico, fazia-me acreditar que sim.

Em todos esses anos de existência, essa sem dúvida se tornara a mais enigmática experiência emocional possível, e pouco a pouco eu mergulhava no mundo desconhecido dos sentimentos. Quando percebi, a aula já estava chegando ao fim. Coloquei meu material na mochila e a passos lentos caminhei em direção a porta, olhei para trás e sorri para ele novamente como forma de despedida, já contando as horas para vê-lo no dia seguinte. E sim, eu me apaixonei.

Saindo da faculdade me deparo com a calmaria do entardecer. O trajeto até minha casa dura apenas vinte minutos no qual faço questão de ir caminhando, admirando a explosão de cores no céu, o pôr-do-sol, o canto dos pássaros e as árvores. Tudo nessa vida me encanta, despertando a todo instante o desejo de aproveitar cada segundo da minha existência. Ah, Como sou grato pelo privilégio de dormir e acordar todos os dias e principalmente pela oportunidade de me apaixonar pela primeira vez.

quinta-feira, 21 de outubro de 2021

Fragmento - Sobre o amor

"Suspiro baixinho ' eu te amo ' ao anoitecer para que o vento leve a ti minha lealdade, e lágrimas percorrem meu rosto todas as vezes que observo as fases da lua porque sinto seu toque em meu corpo... Fecho os olhos e contemplo teu amor outra vez!"

2022

        2022 foi o ano em que eu aprendi a ser forte. Domar sentimentos aprisionados dentro de mim fora quase impossível, mas eu consegui. N...