Como se não bastasse, até no meu primeiro dia de aula na faculdade, cheguei atrasado. Acanhado, pedi licença, caminhei em direção à primeira carteira desocupada e sentei. Retirei o caderno, duas canetas da mochila, e coloquei sobre a mesinha de apoio. Notei que havia se passado quarenta minutos exatos de teoria sobre o contexto histórico do Jornalismo. Curioso, comecei a observar o comportamento dos colegas de classe.
Alguns participavam ativamente com indagações,
proporcionando um momento dinâmico e descontraído, outros se mantinham calados,
introvertidos e tão observadores quanto eu. Além disso, em especial, um rapaz
de estatura baixa, moreno, dono de um sorriso encantador me chamou atenção,
encarando-me fixamente sem parar. Ao perceber sua atitude ousada, sorri, meio
tímido e ele retribuiu amorosamente, esbanjando confiança e intensidade,
despertando-me um sentimento incomum. Tentei desviar o olhar inúmeras vezes,
mas foi uma tarefa difícil, quase inevitável; para minha surpresa ou não, em
breves intervalos de tempo ele insistia em observar-me discretamente.
Nesse momento, um turbilhão de pensamentos
invadira minha mente com flashes desconexos, paralelamente às borboletas no
estômago, causando grande confusão e dúvida de que seria esse o tão falado
"amor à primeira vista?" O brilho em seus olhos, a reciprocidade que
acontecia, mesmo sem contato verbal ou físico, fazia-me acreditar que sim.
Em todos esses anos de existência, essa sem dúvida se tornara a mais enigmática experiência emocional possível, e pouco a pouco eu mergulhava no mundo desconhecido dos sentimentos. Quando percebi, a aula já estava chegando ao fim. Coloquei meu material na mochila e a passos lentos caminhei em direção a porta, olhei para trás e sorri para ele novamente como forma de despedida, já contando as horas para vê-lo no dia seguinte. E sim, eu me apaixonei.
Saindo da faculdade me deparo com a calmaria do
entardecer. O trajeto até minha casa dura apenas vinte minutos no qual faço
questão de ir caminhando, admirando a explosão de cores no céu, o pôr-do-sol, o
canto dos pássaros e as árvores. Tudo nessa vida me encanta, despertando a todo
instante o desejo de aproveitar cada segundo da minha existência. Ah, Como sou
grato pelo privilégio de dormir e acordar todos os dias e principalmente pela
oportunidade de me apaixonar pela primeira vez.
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